quarta-feira, 2 de março de 2011

Rob na Vanity Fair

Essa é uma daquelas entrevistas do Rob que vale a pena ler completa:


Robert Pattinson não gosta mais de voar, porque voar significar aeroportos e aeroportos significa encontrar pessoas que possam enlouquecer ao vê-lo, gritando e chorando e tentando agarrá-lo e pedindo para ele morder seus pescoços. Tímido para um ator, Pattinson, que faz 25 anos no próximo mês, disse o que acha da histeria que o acompanha desde que apareceu pela primeira vez como o galanteador vampiro adolescente, Edward Cullen, no primeiro filme de Crepúsculo em 2008, “é bastante estranho.”


“Isso de todo mundo te conhecer,” ele disse um dia em Baton Rouge, onde está filmando o quarto e o quinto filme da saga Crepúsculo: Amanhecer – partes 1 e 2, “é estranho porque as pessoas tem esse relacionamento unilateral onde olham sua foto e sentem que te conhecem mais do que realmente conhecem.” E Pattinson acrescenta, “Eu não me conheço tão bem assim.”

Então – devido a sua aversão a viagens pelo ar e sua sensação de que poderia gastar um pouco de tempo para se conhecer melhor – Pattinson decidiu que, quando teve que ir de LA para Nova Orleans para se juntar ao elenco de Crepúsculo em Novembro, ele iria dirigir. “Foi ótimo,” ele fala da viagem, que fez com dois amigos de Londres. “Eu acessava serviços de estrada o tempo todo. Eu me direcionava pelo iPhone.” Essa aventura no estilo Kerouac moderna os levou pelo Arizona e pelo Novo México, onde encontraram a pequena cidade Nativo Americana, Zuni. “Não parecia nem um pouco que estávamos nos EUA,” Pattinson disse nostalgicamente. “Eu e meus amigos éramos as únicas pessoas brancas lá.”

Eles pararam em um bar em Lubbock, Texas, onde pela primeira vez em muito tempo, ele se sentou em um bar e tomou uma cerveja, sem ser perturbado por paparazzi ou fãs. “Ninguém me reconheceu,” ele disse. “Eu achei muito legal apenas ficar sentado lá comendo asas de frango, e coisas assim.” Ele estava procurando por um lugar onde pudesse ser ele mesmo e pensou que tivesse encontrado.


Mas, então, algo aconteceu. A notícia se espalhou. “Eles sempre descobrem de alguma maneira,” ele disse resignadamente. De repente havia mil pessoas na rua e a policia teve que vir para controlar a multidão. Um porteiro o perguntou, “Você quer que a gente dê uma porrada em alguém?,” e Pattinson disse, “Eu falei, ‘Do que você está falando? Você não precisa bater em ninguém.’” Agora ele e seus amigos estão presos no mesmo bar que tinha sido um Oasis de anonimato. Uma escolta da policia teve que levá-los de volta para o hotel.

Há alguns meses em Baton Rouge, Pattinson diz que não tem vontade de sair, já que não tem como prever quando uma simples ida a um restaurante pode incitar outro tumulto. “E eu ficarei assim,” ele diz, abaixando a cabeça na mão, se escondendo com o braço. Ele levanta a cabeça novamente e – uau. Ele não consegue escapar de sua beleza tão quanto não consegue escapar dos fãs. Seu rosto tem um tipo de beleza que se vê em rostos de crianças, com a pele pálida perfeita, lábios vermelhos, olhos grandes. É difícil dizer de outra maneira: ele é lindo.

Mas esses adjetivos são provavelmente o tipo de coisa que o faria se encolher e suar ainda mais do que ele já está, através de sua camisa de botão azul claro. Ele parece estar nervoso; ele diz estar. Ele não é de dar entrevistas. “Eu sou tão entediante,” ele diz passando a mão várias vezes pelo cabelo até ficar no lugar. “Estou tão exausto.” Ele está fumando sem parar American Spirits, bebendo café, água e chá gelado Snapple, mordiscando pretzels cobertos de chocolate deixados em uma vasilha por sua assistente.
Do lado de fora podemos ouvir cães brigando. “Espero que não estejam matando o coitado do Martin,” Pattinson siz, se levantando da mesa da cozinha e olhando pela janela. Martin é um cão de rua, o menor de um grupo de cães pertencentes aos assistentes de Pattinson e sua co-estrela em Crepúsculo, Kristen Stewart. Os assistentes estão dividindo uma aconchegante casa alugada em um bairro residencial quieto em Baton Rouge. Eles ascenderam a lareira e velas aromáticas para deixar Pattinson a vontade enquanto faz a entrevista.
 
“Eu não sei o que tem de errado comigo,” Pattinson diz, retornando a mesa. Desde que voltou ao set de Crepúsculo, ele diz, não se sente – bem, ele mesmo. “Meu cérebro não funciona mais. Não tenho mais memória. Não consigo escrever. Tudo o que faço é assinar meu nome. Eu tentei escrever um dia desses – parecia que eu estava escrevendo em Braile.”

Eu o peço para escrever algo no meu bloco de anotações; ele o faz, e está ilegível. “Está vendo?” ele diz. “Parece que foi escrito por aranhas.”
Tem um tom de brincadeira em sua desoladora descrição de seu estado mental, mas ele também está falando sério. Parece que as limitações por viver na bolha deste sucesso imenso estão começando a afetá-lo. “Eu meio que parei de fazer tudo,” ele diz. “Eu nunca mudo de canal no meu trailer. Eu apenas assisto reprises de House of Payne e Two and a Half Men. Eu adoro Cops – eu acho que é o meu programa favorito.”

“Meu Deus,” ele diz, rindo, “Eu pareço um perdedor.”

Me acorde quando acabar


“Kristen é muito focada em ser uma atriz,” Pattinson diz sobre Stewart. “Eu quero dizer, é isso que ela é – ela é uma atriz. Eu, no entanto – eu realmente não sei.” Entre as várias coisas que seguem Pattinson onde quer que ele vá, estão as perguntas sobre a natureza de seu relacionamento com Stewart, 21. Rumores dizem que os dois vivem um romance ardente, algo que eles se recusam a confirmar (nem Oprah conseguiu arrancar deles). Outros rumores dizem que o romance é um golpe publicitário para os filmes de Crepúsculo.
“Você está me perguntando se eu sou mesmo um vampiro?,” Pattinson diz, rindo, quando o pergunto se seu relacionamento amoroso no filme espelha a vida real. Enquanto espero por uma resposta, Pattinson literalmente começa a se contorcer. “Sim. Hum. Não, não mesmo!” ele diz. “É muito difícil… é muito traumático,” ele diz enigmaticamente.

“Eu quero dizer, vocês tem um relacionamento intenso?” eu pergunto.

“Ah, eu não sei,” ele finalmente responde. “Ela é legal. Antes mesmo de conhecê-la eu já a achava uma ótima atriz. Eu vi ‘Into the Wild’, e achei que ela estava muito em nesse filme. Eu ainda acredito que existam poucas garotas na classe dela, que são tão boas quanto ela. É engraçado que ela é quem está fazendo esta coisa enorme.” Crepúsculo, ele quer dizer.

“Quando acabar,” diz Pattinson, se referindo a máquina de entretenimento incontrolável que é Crepúsculo, “a mídia perderá interesse,” no suposto romance deles. Ele espera. “Não haverá nada a dizer. Não sei mais manchete. Eu não mais me encaixarei em um padrão.”

Mas a grande pergunta para Pattinson – e a qual ele parece estar dolorosamente ciente – é se a loucura por Crepúsculo acabará mesmo, um dia, se ele pode voltar a ser apenas Rob, seja lá quando for. O quarto e quinto filme só saem em novembro de 2011 e 2012, e com fãs, os auto-intitulados Twi-hards, tão obcessivos (sem mencionar uma máquina de marketing tão eficiente quanto a da Summit Entertainment), o fenômeno pode continuar enquanto houver garotas adolescentes com um gosto pelo macabro e nada melhor para fazer.
Um papel tão icônico quanto Edward Cullen pode ser tão letal quanto uma mordida de vampiro para a carreira de um jovem ator, apesar da imortalidade do filme e a fama e fortuna que traz. (Este ano, Pattinson foi o 15° na lista dos Top 40 da Vanity Fair, que citou um ganho de U$ 27,5 milhões apenas em 2010.) 

“Tem uma recompensa enorme,” Pattinson admite, mas “estar em uma gaiola tão especifica no momento, é muito estranho. Ter um personagem que as pessoas reconhecem, é o que provavelmente aumenta o seu cachê – mas também é algo que praticamente nenhum ator no mundo quer. Porque ninguém acreditaria em mim se eu quisesse interpretar algo ultra-realista como um gangster ou algo assim.”

Eu o pergunto se ele poderia se distanciar e fazer algo completamente diferente, como Shakespeare. “Se eu fizesse isso agora eu seria assassinado,” ele diz com um sorriso pesaroso. “Todos diriam, mas que p*%ra?”

Ele se encontra em uma posição desconfortável, sem ao menos saber se quer mesmo ser ator para sempre, mas também encarando a possibilidade não permitirem que ele vá além daquele papel. Ele parece ávido quando fala da carreira de seus contemporâneos que admira, como Jesse Eisenberg (“Ele é simplesmente muito legal”) e James Franco (“Ele fez algo muito interessante com sua carreira”).

“Eu sempre disse para os meus agentes que vai demorar 10 anos” até as pessoas se esquecerem de Crepúsculo, ele diz. “E isso é completamente compreensível. Normalmente as pessoas trabalham e trabalham até terem sua grande chance. Você apenas tenta fazer o melhor que pode com suas decisões. Como eu tento pensar agora como pensava antes de todos os filmes de Crepúsculo.”

E foi assim que ele decidiu faze um filme sobre uma elefanta.

Show da trompa

Water for Elephants, nos cinemas este mês, é baseado no best-seller de 2006 de Sara Gruen, sobre um circo viajante durante a Depressão. Pattinson interpreta Jacob Jankowski, um estudante de veterinária que perde os pais em um acidente de carro e pula em um trem de circo, se tornando o tratador de animais exóticos, incluindo um elefanta muito problemático.

“Eu não me surpreenderia se Rob disser que escolheu o filme por causa da elefanta,” diz o diretor Francis Lawrence (de Constantine e I Am Legend). “Ele se apaixonou pela elefanta.”

“Ela foi a melhor atriz com que já trabalhei,” Pattinson fala sobre Tai, sua co-estrela elefanta-indiana, que mora no sul da Califórnia, onde a maior parte do filme foi gravada. (Tai apareceu na capa da Vanity Fair em 1992, posando com Goldie Hawn.) “Eu chorei quando a elefanta terminou,” ou gravou sua última cena, diz Pattinson. “Eu nunca tinha chorado quando alguém tinha terminado antes.”

Mas uma das razões principais para ele escolher esse filme foi que Jack Fisk, o designer de produção indicado ao Oscar (de There Will Be Blood), o contou que seria como o filme Days of Heaven de Terrence Malick, para o qual Fisk fez a direção de arte em 1978. “Eu tinha uma idéia de como seria,” Pattinson disse. “Eu meio que escolho as coisas de uma maneira esquisita.”

“Ele é um cinéfilo,” diz Reese Witherspoon, que interpreta Marlena, uma artista de circo e o interesse amoroso de Pattinson no filme. (Em 2004, quando Reese tinha 28 anos e Pattinson 18, ele interpretou o seu filho no filme Vanity Fair, mas a cena foi cortada, então, ele diz, “não conta.”)

“Para um cara jovem ter visto tantos filmes é realmente surpreendente,” Reese diz. “Eu mencionei Design for Living” – a comédia de Ernst Lubitsch-Gary Cooper de 1933 – “e fiquei surpresa que ele tinha visto.”

“Ele é como um estudante de cinema,” diz Lawrence. “Ele assiste a muita coisa e pode comentar sobre filmes de maneira muito inteligente.”

Ainda assim, Lawrence admite que ficou um pouco “preocupado” antes de conhecer Pattinson, sobre escolhe-lo para Water for Elephants. Os filmes de Pattinson, excluindo a série bilionária de Crepúsculo, não se deram muito bem nas bilheterias. Ele fez vários papéis em filmes pequenos antes de Edward Cullen e do filme de 2010, Remember Me, que não se beneficiou da popularidade de Crepúsculo.

“Os filmes de Crepúsculo são tão estilizados,” Lawrence diz, “você se pergunta o que o ator pode fazer. Mas depois de conhecer Rob eu me acalmei. Ele tem aquilo, ele é magnético. Ele é verdadeiro astro de cinema. Ele me lembra de James Dean. E ele se parece muito com [seu personagem em Water for Elephants] Jacob, alguém que esta se tornando um homem, forte, mas desconfortável na própria pele. As pessoas ficarão surpresas. Sua performance foi muito diferente e naturalista.”

“Ele está explorando quem é como artista,” diz Reese. “Ele estava sempre pedindo a mim ou Christoph” – Waltz, o ator australiano de Bastardos Inglórios que interpreta o treinador de animais, August, em Water for Elephants – “para trabalhar no diálogo e no personagem com ele. Ele é muito comprometido com o trabalho. Eu fico sabendo de histórias horríveis de jovens atores com arrogância, que chegam atrasados e de ressaca, e com ele não teve nada disso. Ele trabalhou tanto.”
De alguma maneira, Pattinson manteve a concentração com as multidões de Twi-hards que apareciam no set de Water for Elephants diariamente. “Eu nunca tinha visto algo assim, nunca,” Reese diz. “Eles ficavam esperando desde as 5 da manhã para vê-lo. Garotinhas. Onde estavam suas mães?” ela pergunta.

“Eu acho que deve ser muito irritante para ele,” diz Lawrence. “Gravamos por uma semana no Tenessee, e a notícia se espalhou e dirigir na rua no caminho para o set parecia Woodstock. Carros por 3 km. Pessoas acampadas na grama. Estávamos jantando no hotel, em uma sala privada, e eles ficavam batendo na janela, então os garçons fecharam as janelas. Então eles começaram a gritar e bater na janela. Ouvimos uma voz desesperada: ‘Rob! Eu quero apenas tocar no seu cabelo!”

“Eu já trabalhei com Will Smith,” Lawrence continua, “e ele dá autógrafos e todo mundo fica feliz. Mas isso é completamente diferente. Rob poderia ser despedaçado. Eles arrancariam suas roupas e seu cabelo.”

Comitiva de ninguém

Você tem que se perguntar como Pattinson lida com tudo isso. Ele não é Leo dos anos de Titanic, indo a boates com sua comitiva, para aliviar a tensão. Ele não é Keith Richards (cuja autobiografia ele diz ter acabado de ler), se anestesiando com substâncias. Pattinson diz que é “alérgico a maconha,” e, agora que tem que ficar em formar para Amanhecer, ele não está nem bebendo. (Ele vai aparecer sem camisa em Amanhecer: Parte I, para o que ele diz estar apavorado: “Eu nunca entendi essa coisa de nudez. Eu tenho tanta inveja das pessoas que conseguem andar por ai peladas.”)

“Eu sou um comedor compulsivo,” ele diz como revelação. “Eu serei tão gordo quando for mais velho, é ridículo.” Mas isso é difícil de acreditar, julgando por seu corpo longilíneo. Ele conta uma história sobre devorar um saco de Pretzel de M&M enquanto lia um livro de textos de David Foster Wallace. “Eu tive um colapso nervoso e literalmente joguei tudo privada a baixo,” ele disse. Nada como Keith Richards.
O que ele parece ser é uma estrela relutante, ansiando por normalidade e comprometido com sua educação. “Ele provavelmente leu 20 livros enquanto filmávamos,” Lawrence diz. “Ele estava sempre lá com o seu Kindle entre tomadas.”

Pattinson tem entre seus livros favoritos contos cômicos sobre a insensatez humana: Eat the Rich, de P. J. O’Rourke, e Money, de Martin Amis. Ele declara que é “igual” ao narrador de Money, John Self – um executivo de propaganda e viciado em trabalho dos anos 80 – e gostaria de um dia interpretá-lo cinema. “Esse papel foi feito para mim,” ele insiste.

Quais são as suas similaridades com o personagem, isso permanece um mistério. Ele admite, “nunca faço nada” – significando algo escandaloso – apesar de confessar ter certa admiração por Charlie Sheen e “suas escapadinhas.” “Eu gosto de pessoas que não se importam,” ele diz.

Mas Pattinson tem objetivos maiores. Ele está escrevendo um roteiro baseado no livro de Lillian Hellman. Antes de seu trabalho o atrapalhar, ele “ia ao cinema todos os dias.” Ele diz que “aprendeu muito com [o diretor Frances Jean-Luc] Godard,” e listou uma série de filmes obscuros japoneses que ele reverencia.

“Droga,” ele diz em um momento. “Eu pareço um esnobe.”

Ele nunca fez faculdade. Cresceu em Barnes, subúrbio de Londres, onde sua mãe, Clare, trabalhou em uma agência de modelo e seu pai, Richard, vendia carros antigos. (Ele tem duas irmãs mais velhas, Lizzy, que é cantora e Victoria, uma executiva de propagando.) “Ele tem uma família muito boa,” Diz Reese, “pessoas que o amam e o apóiam, e ele é igualmente amoroso e apóia a todos. Tudo muito bom para o seu futuro.”

Pattinson freqüentou uma escola para garotos, Harrodian (coincidentemente na mesma época do filho de Mick Jagger, James), a qual ele chama de “artsy” (artística). Ele disse que queria ser escritor de discursos políticos e ia ser inscrever na faculdade de relações internacionais quando conseguiu o papel de Cedric Diggory, um estudante feiticeiro condenado de Hogwarts em Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005). Ele estava saltitando entre atuação e ser modelo e, com o moderado sucesso, decidiu que se mudaria para LA e tentaria a sorte aqui. Ele disse que passou a maior parte do tempo indo assistir a filmes e tocando em bares (ele também é musico e compositor). Ele não tinha uma namorada: “Eu não sou um desses caras que está sempre em um relacionamento, não mesmo,” ele diz. Ele estava pensando em desistir da atuação e ir para casa quando foi escolhido para Crepúsculo.

Vai Team!


Sabendo que ele é um jovem pensador, é mais do que interessante considerar o que passa pela mente de Pattinson em meio todo esse circo de fama. “É estranho,” ele diz, tentando entender tudo isso. “Você tem que se perguntar, O que eles querem?,” se referindo aos fãs de Crepúsculo.

Eles o seguem aos sets de filmagem pelo mundo todo, às vezes largando empregos e a família para seguir a trilha de Crepúsculo. Quando ele pintou o cabelo de vermelho, em janeiro deste ano, eles pintaram os deles também em solidariedade. “Uma garota de 17 anos da Austrália entrou no meu email enquanto eu estava nele,” disse Pattinson. “Depois uma menina de 15 anos da Inglaterra fez o mesmo.” Ele pediu a seus advogados para processarem.

“Eu tenho medo de comprar uma casa ou qualquer outra coisa,” ele diz, “porque se tiver um paparazzi do lado de foram um dia, eles não vão sair mais nunca.” Ele fica em hotéis na maior parte do tempo, ele diz, porque “o melhor jeito de lidar com isso é se mudar o tempo todo.”

“Eu ainda não consigo entender,” Pattinson fala sobre a intensa atração de Crepúsculo. “Tem um ângulo que se liga a algo muito primitivo nas garotas. Eu acho que as pessoas querem se definir, tipo ‘Eu sou um fã de Crepúsculo. ’ Isso é loucura para mim. Eu acho que as pessoas realmente gostam de ser parte de uma multidão, de um grupo. Tem algo tremendamente animador em chegar a esse nível.”

Ele também dá créditos do sucesso ao time de marketing vencedor da Summit Entretainment. Ano passado, a sua campanha ‘Team Edward/ Team Jacob’ foi uma escolha difícil para os fãs de Crepúsculo, pedindo para apoiar um dos dois amantes brigando pela mão de Bella, personagem de Kristen Stewart – Pattinson ou Taylor Lautner, que interpreta o lobisomen.

“Eu não percebia o quanto as pessoas reagiam a disputa ‘Team Edward/ Team Jacob’,” diz Pattinson. “Todos diziam” – voz de executivo de propaganda – “’Então, você é Team Edward ou Team Jacob?’ E eu dizia, ‘Do que você está falando?’ E eles diziam ‘Represente o seu time!’ E eu dizia, ‘Eu não tenho um time.’”

Ele diz que a experiência de se tornar um produto – com seu rosto em carteiras, bolsas, jogos de tabuleiro e claro, bonecos – pode ser “esquisito.” “Com Crepúsculo,” ele diz, “você tem que agradar a franquia” – uma palavra que as pessoas da Summit repetem com certa reverencia. “Como, quando estávamos fazendo a sessão de fotos para o pôster de Water for Elephants,” ele diz, “demorou uns 10 minutos, enquanto a sessão do pôster de Crepúsculo demorou dois dias em cada posição. E nós dizíamos, ‘Por que estamos fazendo isso há tanto tempo?’ e eles diziam” – voz de empresário – “’Ah, é para os brinquedos e os chapéus do Burger King.’ Não é que eu tenha um problema com isso – é difícil para um filme fazer dinheiro…”

“Tanto faz,” Pattinson diz, pegando um cigarro. “Não tem nada que você posa fazer. É assim que as coisas são. Mas é estranho ser parte disso, representando algo que você pessoalmente não gosta…”
“Meu Deus,” ele diz, “Eu analisei demais isso tudo…”

Ele espera fazer uma transição para um novo personagem – Rob Pattinson, ator sério – com personagens cada vez mais sofisticados. Ele foi recentemente escalado para o próximo filme de David Cronenberg, Cosmopolis, uma adaptação do livro de Don DeLillo. “Era com isso que estava preocupado,” ele diz, “que as pessoas não me levariam a sério o bastante para fazer filmes assim, e eu acabei de conseguir um.”

Cansado pra cachorro

Com a mega-fama, parece que certa alienação se estabeleceu. “É engraçado agora,” Pattinson diz, “como, tentar socializar com as pessoas. As pessoas têm esse cuidado que eu acho muito estranho.”
“Ou eu estou andando pela rua,” ele diz, “e as pessoas dizem ‘F*d@-se!’” Ele ri. “E tem muita gente querendo me bater. Homens em barres e coisas assim. Eu simplesmente vou embora,” Ele dá de ombros.

“Mas você não tem permissão para reclamar sobre isso tudo,” ele diz. “Você apenas deve ser grato. E obviamente – eu entendo. Você tem sorte e deve ser grato por ela. Mas, o que eu quero dizer, que se você der a menor indicação que tem um lado ruim em tudo isso as pessoas dirão – Mentiroso! Eu acho que as pessoas querem concebê-lo como um sonho.” 

“Deus, eu sempre falo sobre fama e é tão chato!,” Pattinson exclama, parecendo enojado consigo mesmo, dando um pulo da cadeira. Eu o digo que é perfeitamente compreensível, considerando o que passou esses últimos anos. “É, mas, toda vez que você lê sobre alguém famoso falando sobre ser famoso, você diz ‘Cala a boca,’” ele diz aos risos.

Então, a briga de cães do lado de fora fica mais alta. Ouvimos latidos também. Pattinson abre a porta dizendo, “Eu não agüento mais.”

“Martin, entre!” ele grita, e um cachorro preto magrelo e molhado entra instantaneamente na casa, balançando o rabo energeticamente e agradecido, jogando água por todos os lados.

Pattinson fecha a porta antes que os outros cães possam entrar. “Olhe para eles, esperando para pegá-lo,” ele diz. Dois boxers estão na janela, olhando furiosamente, se é que cães podem fazer isso.
Martin pula no sofá e fecha os olhos, cansado.

Pattinson alisa sua cabeça. “Pronto garoto, isso, durma,” ele o diz.

Traduzido por: Juliana // Portal Twilight
Fonte: Vanity Fair

Obrigada meninas do Portal por essa tradução maravilhosa. Obrigada Vanity Fair por essa entrevista. Obrigada Deus por Robert Pattinson.


4 comentários:

ctsc disse...

Martin é o novo filhinho do Rob .... ownnnnn
Ai gente ..... é depressivo pensar na vida que ele leva .... tudo por causa desse bando de fã louca .... que para mim nem é fã de verdade!

Alê disse...

Que entrevista maravilhosa, parabéns para a(o) repórter, foi sensível e inteligente. Gostei.

Também acho que nem é fã de verdade, é um bando de loucas.

MIX disse...

Concordo com vc ctsc...me dói pensar na loucura que essas ridículas (me perdoem a expressão) transformaram a vida do Rob e Kristen. Bater no vidro e gritar que quer pegar no cabelo em pleno restaurante? Get a life!!!
Conheci Rob pelo Edward, adoro o livro e personagem, mas estou torcendo mais pra saga acabar e esses bando de idiotas irem suspirar por outro ator.

Sou Rob futebol clube, e amo suas reportagens e espero ver essa belezura ainda por muitos e muitos anos, e que ele tenha uma vida mais humana pra contar e que as fotos continuem como sempre: ma-ra-vi-lho-sas!! (mas sem o jacaré rs)

Kha disse...

Esse jacaré ficou bizarro né? AHHAHAHAH